quinta-feira, 30 de junho de 2011

A menina e a caixa preta.

Tinha 09 anos e não sabia o que faria da vida. Sim, isso já lhe era perguntado.
“Quero escalar montanha.”
“Quero cuidar dos animais, jogados na rua.”
“Quero escrever, não sei o que ainda.”
Mas, nada parecia ser suficiente. E ela não entendia porque as pessoas adultas pensavam tanto nisso. Sentia algo queimando dentro do seu coração frágil e pequeno, começou a achar que ia morrer cedo. Por isso, não consegui responder aquela pergunta.
Acordo então em uma manha decidida, que faria tudo o mais rápido possível pra que quando morresse não sentisse falta de nada.
Brincou com as irmãs, beijou a mãe demoradamente, correu no quintal imaginando que estava em uma floresta, comeu saboreando cada grão, riu com as amigo-vizinhas até ter dor de barriga e olhou as nuvens com atenção tentando decifrar o recado que elas lhe queriam passar.
Acordou no outro dia e ainda estava ali. Então repetiu toda a sua dose do dia anterior.
No terceiro dia, que ainda estava viva constatou algo importante. Era um ser diferente. Um ser confuso,um ser bom dia, um ser choro,um ser adeus, um ser alegria e um ser olhando pro mundo. Sentiu-se sem lugar e pela primeira vez desejou que seu dia chegasse logo. E ele chegou.
Subiu as escadas e foi conversar com a diretora. Não sabia, na verdade o que essa palavra significava, mas ficou parada ouvindo todas as explicações de como as coisas deveriam ser e não gostou da palavra deveria, ela lhe parecia muito chata!
Quando a menina perdida até então, colocou seus pés magros na caixa preta e disse algumas palavras: entendeu! Que toda sua vida havia sido projetada pra isso e isso mudaria tudo!
Morreu e viveu naquele palco inúmeras vezes e ali se encontrou: frágil,dócil,ossuda,magra,gorda,dentro,fora e infinita...


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores