Cada um na sua. Dito isso, me empurrou pelo braço em direção a rua. Não deixei por menos, joguei a bola tão longe que quase chegou em Marte. Penso que não posso deixar certas coisas sem resposta, é como quando sua mãe te diz que você é uma criança pra dormir depois das 23h mas, que você é bem crescidinho pra passar a tarde toda jogando videogame, não se pode deixar isso sem uma resposta. Agora quero ver ele pegar a bola, quero ver ele jogar com aqueles meninos metidos do condomínio, quero ver ele tirar uma de volante, quando na verdade ele nem sabe o que é isso; quero ver ele vir amanha com aquela voz mansa me chamar pra jogar bola. Não vou, não vou!
Quando entrei em casa e vi meu pai sentado na frente da tv no sofá, eu soube. Pensei em perguntar se tudo aquilo era normal, se eu podia mesmo ser feliz da minha maneira e que estava tudo confuso aqui dentro. Poderia ser errado, mas o querer de um menino de 12 anos é tão forte, que pode se achar que irá morrer aos poucos, sem o objeto do seu desejo. E por mais que eu quisesse, eu sabia. Que o mundo podia girar e girar, mas aquele menino irritante de 14 anos, eu não ia esquecer tão fácil.
Que seja inteiro!
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